Segunda #AçãoLeitura dos @jovens_escribas na telinha da sua TV

09. maio 2012 by Patrício Júnior
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Jovens Escribas Em Cena (ou: o que danado Patrício fez com Hamlet?)

Uma panorâmica na plateia de "Hamlet: um experimento"

Ontem foi o encerramento da primeira etapa do Jovens Escribas Em Cena, projeto que reuniu autores da Editora Jovens Escribas, grupos de teatro, Shakespeare e Hamlet. Mais precisamente: eu, Carlos Fialho e Márcio Benjamim; mais os grupos Clowns de Shakespeare, Bololô e Facetas Mutretas & Outras Histórias.

Cada um de nós fez uma releitura do clássico “Hamlet”, com o auxílio de oficinas de texto para teatro ministradas pelo fera Márcio Marciano.

Ofélia: "Hamlet, vamos tomar um vinho... ou um banho"

Participar do projeto me ensinou várias coisas. Mas a principal delas foi: não dá pra ter vergonha no teatro.

Um escritor como eu, acostumado a ter como testemunha apenas a tela do computador, de repente se viu cercado de atores e diretores ― que liam textos recém terminados em voz alta (muitas vezes, nem dava tempo de passar o corretor ortográfico), comentavam sobre erros e acertos, faziam sugestões sobre quais caminhos tomar e esperavam a correção na hora, no ato, sem burocracia.

Como se não bastasse tudo isso, as encenações deste fim de semana (ápice do projeto que começou em janeiro) foram acompanhadas de bate-papos que contavam com professores de teatro para avaliar o trabalho. Ou seja, críticos experimentados, embasados e exigentes.

Hamlet: "'Assassinato' é com 'S' ou com 'C'?... 'C' ou não 'C', eis a questão"

O que parece um terror para qualquer dramaturgo de primeira viagem como eu, foi na verdade algo muito divertido. A turma toda era 100% gente boa, sabia do que estava falando e ajudava a nós, pobres autores de gabinete, a deixar o ego um pouco de lado pra se lançar numa experiência coletiva, produtiva e engrandecedora.

O meu texto, “Hamlet: um experimento”, foi encenado com muito profissionalismo pelo pessoal do Facetas Mutretas & Outras Histórias. Ainda teve dois textos de Márcio Benjamim (com Clowns de Shakespeare e Bololô). Em agosto, o texto de Carlos Fialho une os três grupos numa grande celebração do teatro e da literatura (acompanhado do lançamento do livro que vai contar esse projeto em detalhes, incluindo os textos produzidos na íntegra).

O Rei e a Rainha: "Hamlet, espero que esta peça que você trouxe ao reino não tenha músicas regionais"

Uma grande brincadeira que se mostrou um grande aprendizado. E mais que isso: uma grande oportunidade de trabalhar com grupos de teatro profissionais e criativos, ávidos por aprender enquanto ensinam (ou vice-versa).

E o que eu fiz com Hamlet? Bom, se você não estava no Barracão do Clowns ontem à noite, vai ter que esperar o lançamento do livro pra saber.

30. abril 2012 by Patrício Júnior
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Vem aí: a segunda #AçãoLeitura

Agora com realização do SESC e parceria com o Amigos da Escola, evento será realizado de 21 a 25 de maio

Em outubro de 2011, foi realizada a primeira edição da AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA por iniciativa da editora Jovens Escribas. A ideia era promover um evento voltado para estudantes (mas aberto ao público em geral) no qual fosse passada a seguinte mensagem: “Ler pode ser muito divertido.”

Este ano, o evento será realizado de 21 a 25 de maio e contará com a realização do SESC, uma vez que foi inserida na programação do PROJETO SESC ENCONTRO COM O AUTOR, que promove o contato de estudantes de escolas públicas com escritores.

Outra parceria importante estabelecida é com o Amigos da Leitura, mantido pela Rede Globo e realizado no RN pela InterTV e pela Secretaria Estadual de Educação. Estas parcerias proporcionaram a ampliação do evento.

A turma toda que você está venmdo aí em cimka vai lotar auditórios de escolas e universidades pela cidade, levando a literatura para perto da vida das pessoas.

Fiquem ligados no PLOG. Nos próximos dias, a programação será postada na íntegra.

30. abril 2012 by Patrício Júnior
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Henrique Fontes ganha Troféu Cultura e agradece com protesto

Segundo o release do Troféu Cultura 2012, “o evento valoriza a criatividade potiguar que se recria na força da literatura, nas cores do artesanato, na diversidade dos dizeres e cantares, na magia da dança, do teatro e da música”.Mas depois da intervenção do amigo Henrique Fontes – que recebeu o prêmio, subiu ao palco, catou o microfone e mandou o verbo – o evento ganha mais duas funções: o Troféu Cultura viraliza o descaso com que o Poder Público cuida da cultura potiguar e dá um soco no estômago de quem acha lindo que artistas sejam tratados como mendigos.

EM TEMPO: Ano passado ganhei o Troféu Cultura com meu livro “A cega natureza do amor” (eleito melhor obra literária do ano). Mas não peguei o microfone, não fiz um protesto lindo como o do Henrique Fontes e perdi a chance de entrar para a história da cultura potiguar.

Vou ali tomar uma dose de fluoxetina com limão.

26. abril 2012 by Patrício Júnior
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O FABULOSO SORRISO DO MIMO

Publicado originalmente na Revista Unimed & Você nº6

 

O mimo é o presente pelo presente, sem aniversários ou bodas, sem dia disso ou daquilo. Você olha pra você mesmo e se diz: você merece. Pode ser um anel de brilhantes, um vinho importado, um chocolate suíço. O que importa é o brilho de eternidade que o mimo provoca em nossos olhos. Quando felizes nos tornamos eternos.

O maior mimo que já me dei foi uma viagem para a Festa Literária de Paraty. Guillermo Arriaga, roteirista de filmes como “21 gramas” e “Babel”, estaria em uma das estelares mesas do evento. Decidi cruzar seis estados apenas para conhecer meu ídolo. Parti com aquele sorriso que só damos quando estamos sozinhos diante do espelho do banheiro ― o fabuloso sorriso do mimo, sincero e despido de disfarces, como se dissesse “É natural ser feliz”. Foram os cinco dias mais incríveis da minha vida.

Há algumas semanas, fui palestrar no Colégio Estadual Castro Alves, dentro da programação da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura (evento da Editora Jovens Escribas, da qual sou sócio). Havia nos rostos daquelas crianças uma ansiedade que era muito parecida com a que resvalou do meu olhar ao esbarrar com Guillermo Arriaga na feirinha hippie de Paraty ― ele de bermuda, eu de calças curtas.

De cima do palco, meu olhar foi capturado por uma garota sentada à primeira fila. Sua farda puída e seus cabelos maltratados destoavam de sua expressão compenetrada. Pude perceber que ela estava descalça. Ao final da palestra, a garota veio falar comigo. Sem disfarçar a vergonha, disse estar contente em conhecer pela primeira vez um escritor. Depois explicou que estava descalça porque a sandália havia quebrado no caminho para a escola. “Se eu voltasse pra casa, perderia sua palestra”, ela confessou olhando para o chão, cobrindo as palavras com o espesso molho do pedido de desculpas.

Cruzar o país para conhecer um ídolo, de repente, se tornou muito fútil. Não se importar que a sandália haja quebrado e continuar seu caminho: isto sim fazia sentido. Eu sempre acreditei que o mimo é aquilo que você se permite, independente do quanto custa. E o sorriso de espelho que a garota descalça me deu quando agradeci sua presença não tinha preço. Era eterno.

20. abril 2012 by Patrício Júnior
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O PRIMEIRO PEDIDO DO ANIVERSARIANTE

Publicado originalmente na Revista Versailles nº 17

Sentado à cabeceira da mesa numa cadeira adaptada ao seu corpinho frágil, Pedro viu o mar de docinhos multicoloridos desembocando na montanha de marzipã que era o bolo. Enorme, colorido, irresistível. Sua boca banguela salivava sem controle. Instintivamente, umedeceu os lábios com a língua e abriu bem os olhos em direção ao bolo. Todos riram da sua marotice.

Acompanhou com o olhar aquela mulher carinhosa que depositava em sua cabeça um dos inúmeros chapéus cônicos. O elástico fino, quase invisível, alojou-se confortavelmente na dobrinha abaixo do seu queixo. Sentiu-se parte de um grupo, visto que todas as pessoas ao redor usavam o mesmo chapéu.

A mulher carinhosa recendia a água de banho e sussurrou em seu ouvido maternalmente: “Daqui a pouco partimos o bolo, querido”. Não queria fazer birra, mas foi impossível conter o bico. Esperar era a pior coisa do mundo. Todos entoaram “Ooohhh” fingindo pena e Pedro acabou por ganhar um beijo na testa da mulher carinhosa. Ficou mais fácil esperar.

O sol já estava se pondo quando o bolo veio flutuando em direção a ele. Pedro mal conseguia conter a alegria. Bateu palmas, gargalhou, gritou. Todos acompanhavam atentamente suas reações, como se a grande atração da festa fosse mesmo a sua felicidade. Pedro gostava de se sentir amado.

Tão logo o bolo pousou diante de Pedro, um homem barbudo veio com um isqueiro para acender as velas. “Faz um pedido, vovô”, o homem disse olhando nos olhos do aniversariante. Pedro soprou as velas que formavam o número “100” com o fôlego de uma criança, desejando silenciosamente que tudo aquilo fosse apenas o começo.

02. janeiro 2012 by Patrício Júnior
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AQUELE SILÊNCIO

Para ler ouvindo: “De haberlo sabido”, Quique González

Aquele silêncio ao se olharem de longe. Nenhuma música, nenhuma gargalhada, nenhuma piada regada a uísque. Somente aquele silêncio dos olhos se contundindo um no outro, explodindo os desejos recíprocos a guisa de qualquer luz estroboscópica e passos de dança e gelos secos. Paralisados, olharam-se em silêncio: que não era a ausência do som, mas sim presença de todos os convites. Sorriram-se. Em silêncio.

Aquele silêncio ao cruzarem o umbral do pub e estancarem na calçada. Ficou na memória do ouvido algo do bate-estaca, mas com o vento e as buzinas e as instruções dos manobristas transformou-se em zumbido grave profundo, abafado como um tambor que retumbasse intermitentemente dentro de um copo. Aos poucos, mimetizou-se em silêncio. Disseram-se seus nomes, trocaram cumprimentos, deixaram que o amarelo resvalasse pelos sorrisos.

Aquele silêncio de não saber o que dizer apesar de todas as coisas a serem ditas. Que poderiam ir tomar um café e se conhecer melhor, que aquele DJ tinha perdido a mão ao tocar dance music dos anos 90, que aquele lugar já tinha sido muito bom na época em que não era frequentado por todo mundo da cidade. Apesar de todo o mais que havia de dizível, permaneceram apenas se olhando. E dos olhos saltavam como suicidas desesperadas as palavras-anseios: eu quero alguém com quem possa ultrapassar a barreira dos silêncios constrangedores. Compreenderam-se sem dizer palavra.

Aquele silêncio saciado que apenas a completude de um corpo no outro provoca. Entregaram-se a olhar o teto, suspirar, descer os dedos suavemente pelas costas. Sem nada a dizer porque tudo já falado em braile. A língua do toque.

Aquele silêncio diante do primeiro presente. Aquele silêncio diante da primeira briga. Aquele silêncio diante dos gostos em comum que foram descobrindo, das histórias de infância que foram se contando, das fotos de viagem que foram se acumulando. Aquele silêncio diante dos dias, dos meses, dos anos.

Aquele silêncio enquanto olhavam embasbacados para a caixa de veludo revelando, como vulvas, as alianças.

Aquele silêncio irrecuperável. Porque não falar nada era mais pelo tédio, pela rotina, pelos dia-a-dias que iam embolorando-se nos cantos da casa. Já não planejavam ir a uma boate e fingir que não se conheciam para então se trombarem acidentalmente no bar; já não se entusiasmavam quando viam um móvel moderno, estilo anos 60, esquecido no fundo de um antiquário; já não dividiam a vida porque ela completamente dividida. Assistiam a tudo em silêncio, dois virando um mais um.

Aquele silêncio da mala pronta, encostada à parede da sala, o táxi esperando no estacionamento, a vontade de gritar e gritar e gritar. Caminharam em silêncio até a porta entreaberta, o rasgo de luz do corredor vazando pelo hall de entrada. Cumprimentaram-se com um meneio de cabeça como maratonistas que desistissem no meio do revezamento. Mas havia ainda o aluguel a fracionar, a conta conjunta a encerrar, os carros a serem vendidos, o imposto de renda, o IPVA, a TV a cabo, as famílias, os amigos, as músicas, os filmes, as viagens, as descobertas, as alegrias, os sonhos. Choraram. Aos berros. Desesperados. Abraçados. Beijando-se. Desistindo. Despindo-se. Falando. Mas eu te amo tanto, mas eu te amo tanto, mas eu te amo tanto.

Naquela noite ninguém conseguiu dormir no condomínio. E eles nunca mais correram o risco de se calar.

13. outubro 2011 by Patrício Júnior
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AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA: PROGRAMAÇÃO

# ABERTURA OFICIAL – QUARTA-FEIRA – 19.10.2011 – 19h – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – ABERTO AO PÚBLICO

No dia 19 de outubro, uma quarta-feira, os escritores Nei Leandro de Castro (RN) e Mario Prata (SC) estarão no Auditório Robinson Faria da Assembleia Legislativa falando sobre o prazer da leitura, seus livros, suas carreiras e fazendo o que sabem melhor: contando boas histórias. O evento é GRATUITO e ABERTO AO PÚBLICO.

# QUINTA-FEIRA – 20.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO

Na quinta-feira, 20 de outubro, duas animadas mesas de bate-papo falam de narrativas contemporâneas brasileiras. Pablo Capistrano (RN), Patrício Jr.(RN) e Sérgio Fantini (MG), depois Joca Reinners Terron (MT) e Rafael Coutinho (SP) recebem leitores, conversam com o público, assinam seus livros em debates sobre leitura e literatura.

# SEXTA-FEIRA – 21.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO

Na sexta-feira, 21 de outubro, às 18h30, Clotilde Tavares, Cláudia Magalhães e Ana Célia Cavalcanti conversam sobre seus livros lançados em 2011. Em seguida, será lançado o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães.

# ENCONTROS COM ESTUDANTES

De segunda à sexta (17 a 21 de outubro), nos períodos da tarde e da manhã, os autores visitarão as escolas estaduais Anísio Texeira e Castro Alves, a Escola Municipal 4º Centenário e o colégio CEI Romualdo Galvão. Também haverá palestras com Nei Leandro no curso de Letras da UnP e de Pablo Capistrano para funcionários da ALE Combustíveis.

# LANÇAMENTOS

Durante o evento, serão lançadas duas publicações de nossa editora. Na quinta-feira à tarde, Nei Leandro de Castro e Mario Prata estarão na Siciliano do Midway, assinando seus livros para leitores. Na sexta-feira, 21, o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães será lançado na mesma Siciliano do Midway Mall a partir das 18h30. Já no sábado, 22, às 16h, Leonardo Panço (RJ) conta a história do movimento underground carioca dos anos 1990 com o seu “Esporro”.

# OFICINA COM O ESCRITOR SÉRGIO FANTINI (MG)

De quarta a sexta-feira, (19 a 21 de outubro) será realizada uma oficina de leitura com o autor mineiro Sérgio Fantini. Com 40 vagas para estudantes universitários. A atividade também é GRATUITA e será realizada na UnP da Floriano Peixoto sempre das 15 às 17h. Os alunos receberão certificados e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail jovensescribas@gmail.com . Basta enviarem o nome completo, celular para contato, e-mail pessoal, instituição onde estuda, curso e período.

# FESTA DE ENCERRAMENTO

No dia 22 de outubro, sábado, a partir das 16h, no Centro Cultural Dosol, Ribeira, será realizada a festa de encerramento da AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA com o lançamento de Leonardo Panço e muita música.

# LIVRO PARA VOAR

Na noite de abertura na Assembleia Legislativa, bem como nos encontros com estudantes e na festa de encerramento no Dosol, a ALE levará suas estantes do projeto Livro para Voar, transformando estes locais em pontos de libertação e recolhimento de livros. Para saber mais sobre o projeto, acesse www.livroparavoar.com.br

# REDES SOCIAIS

As redes sociais serão uma grande plataforma de divulgação do evento, bem como de distribuição de brindes e promoções especiais. Sigam o perfil @jovens_escribas no Twitter e curtam a fanpage /jovensescribas no Facebook. Também sigam os perfis de nossos patrocinadores. A Cabo Telecom, ALE Combustíveis, CEI Romualdo Galvão e Assembleia Legislativa estarão cheias de novidades bacanas relacionadas ao evento.

# PÚBLICO

Nos 6 dias de evento, a AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA deverá atingir um público de mais de 3.000 pessoas, na sua grande maioria estudantes, mas também qualquer pessoa interessada em leitura e em ter um contato mais próximo com alguns dos melhores autores atuais.

# PATROCINADORES

A realização do evento não seria possível sem o patrocínio de empresas que acreditassem no projeto. Gostaríamos de agradecer à ALE Combustíveis, CEI Romualdo Galvão, Cabo Telecom e Assembleia Legislativa.

# APOIOS

Muitos apoios também estão sendo de grande importância. A rede de restaurantes Camarões, Livraria Siciliano, Verbo Eventos, Comitê Criativo, Unigráfica, Revista Catorze, Natalpress, Rox GC Studio e Centro Cultural Dosol.

# OUTUBRO DA LEITURA

Natal em Outubro conta com outros eventos semelhantes ao nosso como a FLIQ, os eventos do IDE, o 4º Encontro Potiguar de Escritores (UBE-RN), entre outros. São diversas iniciativas independentes que transformarão este mês no “Outubro da Leitura”.

05. outubro 2011 by Patrício Júnior
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O INTELECTUAL POTYGUAR

Suponhamos que você esteja numa mesa de bar com um grupo de Intelectuais Potyguares (sim, eles existem, muito embora sejam como as bruxas: você não deve acreditar neles). Ah, o Intelectual Potyguar! Esse espécime que todos crêem estar em extinção, mas que se reproduz pelas vicinais do Beco da Lama com mais ferocidade que o Artistas Performaticus Natalensis e o Secretarius de Cultura Municipalis. Está com eles a missão de transmitir às gerações vindouras o melhor que encerra seu DNA: o talento para o fuxico, a capacidade para a inércia e o dom da irrelevância.

— Os prêmios literários só são dados a autores que espelham e ovacionam o poder dos Governos — suponhamos que um dos Intelectuais Potyguares acabe de cuspir esta máxima (um Intelectual Potyguar que se preze não se contenta em emitir opiniões: vociferar verdades universais incontestáveis é que é da hora).

É preciso que fique claro antes que prossigamos: dizer “o poder dos Governos” numa mesa de bar é o equivalente a berrar “Parem de falar, vozes na minha cabeça” em um jantar de noivado. Não faz sentido, mas serve para chamar a atenção.

Ainda no campo das suposições, partamos do pressuposto de que você tente contra-argumentar, dizendo que não é bem assim: prêmios literários, do finado Othoniel Menezes ao eterno Nobel, servem para fomentar a produção, estimular o consumo de literatura e, independente das jogadas de bastidores e dos eventuais lobbies, é sempre bom ganhá-los.

Desista. Não adianta. Um legítimo Intelectual Potyguar não participa de prêmios literários — não está bem claro se é pela falta de uma obra relevante ou se é pela preguiça de tirar cópias, encadernar, enviar pelos Correios. Intelectuais Potyguares sabem que ser intelectual de verdade dá trabalho. E não me entenda mal: há intelectuais de verdade no Rio Grande do Norte; cultos e comprometidos; maduros e humildes; talentosos e empreendedores — e eu só inseri esta afirmação no texto porque não quero me indispor com os Intelectuais Potyguares que não se assumem como tal. Os enrustidos são os mais perigosos.

Pra ser Intelectual Potyguar tem que expor opiniões como se estivesse revelando publicamente uma conspiração global — com alterações bruscas no volume da voz, olhos injetados, palavras que já caíram em desuso e, mais importante de tudo, perdigotos.

— O único ganhador do Nobel que merece meu respeito se chama Sartre, que fez exatamente o que eu faria: recusou o prêmio — diz um dos Intelectuais Potyguares à sua frente, enquanto gotas da mais pura saliva neblinam sobre a mesa, notadamente quando ele diz “Sartre”. Os Intelectuais Potyguares preferem a umidade à humildade.

Este que, suponhamos, acaba de falar é da espécie sou-tão-inteligente-que-posso-andar-como-um-mendigo. E muito embora você duvide que alguém quase sem dentes, vestindo camiseta das Eleições 2002 e calça doada pela Cruz Vermelha, tivesse a audácia de recusar um prêmio que lhe renderia 10 milhões de coroas suecas, você não vai dizer nada. Você vai se limitar a sorrir sem revelar se é por fascínio ou escárnio, dar um gole na sua cerveja torcendo para que ela não tenha sido atingida pelos perdigotos, repassar mentalmente os nomes dos agraciados pelo Nobel que você consegue lembrar (achando surpreendente que este Intelectual Potyguar tenha conseguido memorizar todos os ganhadores) e pensar: mas nem José Saramago, único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa, você respeita?

— Mas nem José Saramago, único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa, você respeita? — suponhamos que você, sem conseguir se conter, tenha pensado alto.

Neste momento, você conhecerá uma nova faceta do Intelectual Potyguar. Você não sabia, mas quando está em seu habitat natural (mesa de plástico de um bar xexelento), o Intelectual Potyguar não aceita que ninguém — ninguém! NINGUÉM! — discorde dele. Isto inclui você. O Intelectual Potyguar passa a agir como um leão que mija em círculos para demarcar seu território. Em vez de urinar, entretanto, ele caga:

— A literatura de Saramago está a serviço dos poderosos — diz enquanto as têmporas vibram num rompante de ódio comparável apenas a um chilique de madame em boutique do Plano Palumbo. — Dos poderosos!

José Saramago? O escritor de esquerda?! Aquele que deixou Portugal só por não concordar com o Governo?!?! O escritor excomungado pela Igreja por escrever “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”?!?!?! É deste José Saramago que ele está falando?!?!?!?! Parece loucura, mas você decide cutucar o cão com frases curtas:

— Acho que você nunca leu Saramago — você diz sem conseguir conter um brilho maligno no olhar. — Aliás, acho que você nem sabe quem é Saramago.

“Eu não sei” é uma sentença que não existe no vocabulário do Intelectual Potyguar. Uma única vez um Intelectual Potyguar disse esta frase, mas depois descobriram que ele havia nascido em Recife.

— Atualmente, tenho me dedicado a reler “Finnegans Wake” de James Joyce — responde, gentilmente, o Intelectual Potyguar, esboçando tédio e autocomiseração para que todos creiam que reler “Finnegans Wake” é algum tipo de obrigação divina que lhe foi imposta.

Pois é, os Intelectuais Potyguares sempre estão relendo um livro que ninguém leu. Não importa se nos últimos meses você devorou três Philip Roth, quatro Paul Auster e nove Hemingway. O Intelectual Potyguar vai se sentir superior por estar usando seu cultíssimo tempo para reler “Finnegans Wake”. Você até cogita perguntar o que ele tem lido de mais atual, mas você sabe que ele acabaria vomitando frases como “A literatura acabou em Guimarães Rosa” e aí a coisa toda descambaria pra baixaria.

Suponhamos que você desista de dialogar e reduza-se a um observador da fauna local. Como um repórter do NatGeo, você presta atenção em cada gesto dos Intelectuais Potyguares enquanto seus olhos lacrimejam de piedade.

Você aprende que:

1) Só Intelectuais Potyguares sabem que Lampião nunca colocou os pés em Mossoró, ficando a 17 quilômetros da cidade durante o famoso cerco. Preste atenção: 17 quilômetros. Não foram 18, não foram 19, foram 17 quilômetros. Você pensa: “Como ele sabe a distância exata? Lampião deu um check-in no Foursquare?”

2) Só Intelectuais Potyguares leram mais de 300 livros sobre a história do Rio Grande do Norte e sempre estarão a espera do momento certo de esfregar isto na sua cara. Muito embora não confessem, intimamente alimentam a esperança de serem citados em um desses livros. Por isso lêem tanto sobre a história do Rio Grande do Norte.

3) Só Intelectuais Potyguares conseguem citar Câmara Cascudo em qualquer momento da conversa. “Vai viajar neste feriadão?”, alguém pergunta displicentemente. O Intelectual Potyguar se empertiga na cadeira, respira fundo, formula sua melhor expressão de desdém e fala fitando o nada: “Como diria Câmara Cascudo: ‘Vou não, quero não, posso não’.”

4) Só Intelectuais Potyguares xingam muito no Twitter, disparando até ameaças de agressão física, só porque algum jovem poeta escreveu “chanana” ao invés de “xanana” (Intelectuais Potyguares, só de birra, ignoram que a flor símbolo de Natal é grafada com “ch” em todos os dicionários). A propósito, só Intelectuais Potyguares não pensam em vagina quando ouvem a palavra “chanana”.

5) Só Intelectuais Potyguares batizam de Zila & Mamede o casal de pebas conquistado numa rifa.

6) Só Intelectuais Potyguares lêem repetidas vezes um texto que os critica, numa busca fremente por um verbo mal conjugado ou um erro de digitação. Em suas cabecinhas transbordantes de meladinha, encontrar algo assim num texto que os critica desqualificaria seu autor, suas ideias, seus argumentos, sua mãe, sua esposa, sua sogra. Buscar coisas assim num texto é uma forma de se afirmar Intelectual Potyguar. Pode prestar atenção nos comentários mais abaixo para confirmar.

E, por fim, a maior lição: só Intelectuais Potyguares fazem você sentir o estômago dar voltas em torno de uma dor pontiaguda que precipita a mais genuína diarréia de escárnio. Você se levanta, dá boa-noite, pede desculpas por já ter que ir embora. E sai antes que acabe por expelir em forma pastosa tudo que os Intelectuais Potyguares vêm excretando, ao longo da vida, dia após dia, em forma de palavras.

Mas tudo isso não passa de suposição, claro.

26. setembro 2011 by Patrício Júnior
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MATCH.COM: SHE BEGAN TO DANCE

Como emocionar com um comercial? A resposta está a um play de você..

Gostou? Pois a história continua aí embaixo:

22. setembro 2011 by Patrício Júnior
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